Palavras Domesticadas

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domingo, 22 de janeiro de 2012

Nova História da MPB - 1976


De tempos em tempos a editora Abril costumava lançar séries de fascículos sobre a MPB, que vinham acompanhados de um disco. A primeira dessas séries foi lançada em 1970, indo até 1972; a segunda em 1976 até 1978, a terceira, a partir de 1982. Os discos que acompanhavam as duas primeiras séries eram vinis de 18 polegadas, de formato menor que os LPS convencionais, com oito músicas. A edição de 1982 era acompanhada por um LP, de formato normal.
O primeiro volume da segunda série, publicada a partir de 1976 trazia um encarte especial, falando sobre o projeto, fartamente ilustrado, e contando resumidamente a história da música brasileira, desde os seus primórdios, até o que de mais moderno e atual se produzia até então. Vinha em formato de poster, que após aberto, trazia a ilustração abaixo, criada pelo artista gráfico Elifas Andreato, que por sinal, ilustrava todas as edições publicadas, dando um bonito visual aos fascículos.

Num texto de apresentação que vinha nesse encarte, em forma de Carta do Editor, o então presidente da editora dizia:
"Caro Leitor,
Em 1970-1972, a Abril Cultural produziu um antológico documento: a História da Música Popular Brasileira, narrada ao longo de 48 fascículos enriquecidos com discos que continham o principal da obra dos compositores biografados. A criteriosa seleção desses nomes permitiu a formação de um elenco de autores, que sempre representará uma síntese fiel - editorial e fonográfica - das origens e do desenvolvimento da nossa música popular(...)"
Os discos, dedicados às obras dos compositores em destaque trazia gravações variadas, com vários intérpretes, e vinha acompanhado das letras. Às vezes eram destacados mais de um compositor, que faziam um trabalho na mesma linha, algumas vezes as edições falavam não de compositores especificamente, mas sim de algum gênero musical. Uma curiosidade, por exemplo, que nunca consegui decifrar é uma gravação que saiu numa edição da segunda série (1976-78), dedicada a Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius. No disco que acompanha o fascículo existe uma gravação de Vou Danado Pra Catende, de Alceu Valença, que segundo informações que acompanham o fascículo foi extraída do LP do Festival Abertura, disco que também possuo. Porém a gravação que consta do disco do festival está incompleta, e o do fascículo aparece inteira. Quando baixei o disco do festival em mp3 é a mesma gravação incompleta. Porém o fascículo traz inclusive o número de série do LP onde a gravação foi extráda, sendo o mesmo do disco que possuo. Até hoje não sei como eles conseguiram a gravação com a música completa.

Como na época eu não tinha muita grana para comprar discos, esses fascículos representavam uma ótima alternativa para conseguir gravações que eu não possuia.
Ainda guardo vários daqueles fascículos, um ótimo material de pesquisa, fartamente ilustrado, e trazendo um bom material sonoro, às vezes inédito, como é o caso da gravação de Alceu Valença que citei. A primeira edição, publicada a partir de 1970 trazia inclusive, gravações inéditas, feitas especialmente para as edições, o que se constitui em raridade hoje em dia. Anos mais tarde, já na era do cd, outras edições semelhantes foram lançadas também. Mas tudo começou naquela primeira série, em 1970.

2 comentários:

  1. Eu tenho o do Gil e do Caetano em 18 polegadas.. o material gráfico é realmente interessante..
    E lembrando: traça não come MPB tropicalista..

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  2. Pois é, talvez o Araçá Azul, se estivesse ainda sob sua guarda, escapasse do ataque das traças

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